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Circuito Cultural Ticket transforma São Paulo em rota gratuita de experiências artísticas

Em sua terceira edição, evento ocupa espaços como MASP, MIS, Planetário, Nu Cine Copan e Cúpula do Theatro Municipal entre 15 e 24 de maio, com programação que reúne teatro, música, humor, gastronomia, bem-estar e sessões especiais


Circuito Cultural Ticket transforma São Paulo em rota gratuita de experiências artísticas
Imagem: De Divulgação

São Paulo será atravessada, entre os dias 15 e 24 de maio, por uma programação que busca transformar a cidade em um mapa de experiências culturais gratuitas. Em sua terceira edição, o Circuito Cultural Ticket ocupa espaços emblemáticos da capital paulista com espetáculos, shows, concertos, sessões especiais, bate-papos e atrações criadas ou adaptadas especialmente para o projeto. A programação gratuita celebra os 50 anos da Ticket no Brasil e reúne mais de dez atrações em locais como MASP, MIS, Planetário Ibirapuera, Nu Cine Copan, Cúpula do Theatro Municipal, Teatro Villa-Lobos, Teatro Renault, Teatro UOL, Teatro B32, Teatro Renaissance, Bourbon Street Music Club e Le Cordon Bleu.


Mais do que reunir ações simultâneas pela cidade, o Circuito parece interessado em criar uma espécie de dramaturgia urbana. A proposta, apresentada durante a coletiva de imprensa, é que o público não enxergue a programação apenas como uma sequência de eventos gratuitos, mas como uma experiência cultural integrada, um convite para circular por São Paulo, ocupar espaços de naturezas muito distintas e encontrar, em cada um deles, uma linguagem artística diferente.


Essa chave também aparece no desenho curatorial conduzido por Monique Mendonça, curadora geral do projeto. A ideia de “festival”, citada durante a apresentação à imprensa, ajuda a compreender a dimensão da iniciativa: teatro, música, humor, experiências imersivas, gastronomia, bem-estar e formação de público convivem dentro de uma mesma programação. O projeto tem patrocínio da Ticket, marca da Edenred Brasil, e realização da Arte & Atitude, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.


A gratuidade, neste caso, não aparece como detalhe lateral, mas como princípio estruturante. Segundo a organização, a ampliação do acesso foi uma das premissas centrais do patrocinador, que buscou garantir uma programação capaz de alcançar públicos diversos, em diferentes regiões e circuitos culturais da cidade. O gesto é especialmente significativo em uma cidade como São Paulo, onde a abundância de oferta cultural convive, muitas vezes, com barreiras concretas de preço, deslocamento e pertencimento.


Entre os destaques da programação estão a pré-estreia de “Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos”, de Tom Stoppard, com direção de Dagoberto Feliz, no Nu Cine Copan; Gregorio Duvivier em “Aos Pés da Letra”, versão enxuta de “O Céu da Língua”; Mateus Solano em “O Figurante”; Marianna Armellini em “Ninguém Tá Bem”; Miá Mello, Camila Raffanti e Juliana Araripe em “Mulheres em Chamas”; além do concerto “Broadway Experience”, com a Orquestra Guarany, e uma sessão especial no Planetário Ibirapuera.


Mas é na programação musical que o Circuito encontra um de seus eixos mais interessantes, especialmente pela presença da atriz e cantora Helga Nemëtik, que aparece em dois momentos distintos e complementares. No dia 19 de maio, no Auditório do MASP, ela apresenta “Helga Nemëtik canta Fafá”, pocket show criado especialmente para o evento, dedicado ao repertório de Fafá de Belém. No dia seguinte, 20 de maio, no Auditório do MIS, a artista volta ao palco com “Helga Nemëtik canta Janis Joplin”.


A presença dupla de Helga cria uma ponte curiosa entre teatro musical, memória afetiva e cultura pop. No show dedicado a Fafá, a artista revisita canções como “Sob Medida”, “Vermelho” e “Nuvem de Lágrimas”, em uma apresentação que antecipa, de certo modo, sua próxima passagem pelos palcos paulistanos. Helga integra o elenco de “Fafá de Belém, o Musical”, espetáculo que chega ao Teatro Claro MAIS SP em junho e celebra os 50 anos de carreira da cantora paraense.


Se em Fafá o encontro passa pela brasilidade, pela memória popular e pela potência dramática da canção, em Janis Joplin ele ganha outra temperatura. O show no MIS acontece em um momento especialmente oportuno: o museu recebe a exposição “Janis”, mostra inédita dedicada à cantora norte-americana, com mais de 300 itens de acervo, incluindo figurinos, fotografias, manuscritos e objetos cedidos pela família da artista.


A relação entre Helga e Janis também não nasce agora. Em 2018, a atriz e cantora emocionou o público ao homenagear Janis Joplin no quadro “Show dos Famosos”, do Domingão do Faustão, em uma apresentação de “Piece of My Heart”. À época, o Gshow registrou a performance e a reação emocionada da artista, que comentou a dificuldade de alcançar a força vocal e cênica associada à cantora.


Outro eixo importante da programação é o conceito “Histórias e Canções”, que atravessa os pocket shows do Circuito. Além de Helga, Beto Sargentelli apresenta “Elvis – Histórias e Canções”, no Bourbon Street Music Club, no dia 18 de maio. A proposta aproxima música e narrativa biográfica, fazendo dos shows não apenas apresentações de repertório, mas encontros mediados por memória, bastidor e contexto artístico.


A terceira edição do Circuito também reforça uma tendência cada vez mais presente na cena cultural: a criação de eventos que ultrapassam o formato tradicional de programação e se aproximam de experiências de marca, sem necessariamente perder densidade artística. Nesse sentido, o projeto não se limita a distribuir ingressos gratuitos; ele tenta construir uma percepção de pertencimento, circulação e descoberta. O público é convidado a sair de um teatro para um museu, de uma cúpula histórica para um planetário, de um antigo cinema em ruínas para uma sala de concerto.


Essa costura talvez seja o ponto mais interessante do Circuito Cultural Ticket. Ao reunir atrações tão diferentes, o evento subverte a ideia de que o acesso à cultura se resume à abertura pontual de portas. A experiência proposta é mais ampla: colocar a cidade em movimento, fazer com que espaços já conhecidos sejam redescobertos e permitir que públicos distintos se encontrem diante de linguagens que, muitas vezes, não fariam parte de seu percurso habitual.


Serviço

3º Circuito Cultural Ticket Data: de 15 a 24 de maio de 2026 

Local: diversos espaços de São Paulo, incluindo Teatro Villa-Lobos, Teatro B32, MASP, Bourbon Street Music Club, Teatro Renault, MIS, Teatro UOL, Le Cordon Bleu, Cúpula do Theatro Municipal, Teatro Renaissance, Planetário Ibirapuera e Nu Cine Copan 

Ingressos: gratuitos

Informações e retirada: pelo site oficial do Circuito Cultural Ticket

Atenção sobre ingressos: no material da organização, a orientação geral é que os ingressos sejam liberados no site do projeto antes de cada atração; para algumas atividades em museus, a retirada aparece indicada diretamente na bilheteria física. No site oficial, por exemplo, “Helga Nemëtik canta Fafá” aparece com retirada no MASP a partir das 18h do dia 19, e “Helga Nemëtik canta Janis Joplin” aparece com retirada no MIS a partir das 19h do dia 20, ambas com quantidade limitada.


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