Espetáculo “Lima Barreto, Ao Terceiro Dia” estreia no Centro Cultural Olido e revisita a trajetória do autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma
- Isabel Branquinha
- 26 de jul.
- 3 min de leitura
Com dramaturgia de Luís Alberto de Abreu e direção de Paulo Fabiano, montagem do grupo Teatro-X propõe diálogo entre ficção e realidade ao revisitar o legado do autor negro marginalizado pela sociedade brasileira

Entre a genialidade literária e a exclusão social, o escritor Lima Barreto (1881–1922) é o centro do espetáculo “Lima Barreto, Ao Terceiro Dia”, que estreiou em 18 de julho de 2025, na Sala Paissandú do Centro Cultural Olido, no centro de São Paulo. Com entrada gratuita, a peça cumpre curta temporada até 3 de agosto, com sessões às sextas e sábados, às 19h30, e aos domingos, às 18h.
A montagem é assinada pelo grupo Teatro-X, com texto de Luís Alberto de Abreu e direção de Paulo Fabiano, e propõe uma imersão poética, crítica e sensível nos últimos anos de vida do escritor carioca, autor de obras como Recordações do Escrivão Isaías Caminha e o clássico Triste Fim de Policarpo Quaresma.
O escritor internado, seus fantasmas e sua criação
A dramaturgia parte da segunda internação compulsória de Lima Barreto no Hospício Dom Pedro II, em 1919, por conta de seu alcoolismo, agravado por problemas emocionais e racismo estrutural. A partir deste cenário, a narrativa se desdobra em três planos temporais: o presente, com Lima internado; o passado, no processo de escrita de sua obra-prima; e o plano ficcional, no qual personagens como Policarpo Quaresma ganham vida, confrontando, consolando ou cobrando seu criador.
A peça mistura delírio e lucidez, e se transforma em uma metáfora do abandono social e intelectual sofrido por Lima, um autor negro de pensamento afiado que ousou denunciar os absurdos de uma sociedade racista, elitista e hipócrita — e pagou caro por isso. Em consonância com a luta antimanicomial, o espetáculo também denuncia o histórico uso de hospícios como mecanismo de silenciamento e controle, sobretudo contra pessoas negras.
Diálogo entre passado e presente
Em cena, Lima Barreto é apresentado como um homem ferido, mas ainda em luta — revendo seus passos, enfrentando seus fantasmas e sonhando com a libertação através da palavra. A encenação estabelece um diálogo entre o Brasil do início do século XX e as discussões urgentes do presente, trazendo à tona questões como racismo estrutural, saúde mental, branquitude institucional, literatura negra e a invisibilidade de corpos dissidentes.
Com duração de 120 minutos, o espetáculo é uma potente reflexão sobre arte, memória e exclusão. “Ao revisitar a história de Lima Barreto, o teatro se torna um ato de justiça simbólica, capaz de iluminar a trajetória de um gênio literário que foi apagado em vida por uma sociedade que não soube — ou não quis — reconhecê-lo”, afirma o diretor Paulo Fabiano.
Sinopse
Internado compulsoriamente em um hospício, Lima Barreto revive sua juventude e o processo de criação do romance Triste Fim de Policarpo Quaresma. Em meio a delírios, lembranças e confrontos com seus próprios personagens, o autor revisita sua trajetória marcada por exclusão, racismo e genialidade. Texto de Luís Alberto de Abreu, direção de Paulo Fabiano, com realização do grupo Teatro-X.
Serviço
Espetáculo: Lima Barreto, Ao Terceiro Dia
📅 Temporada: 18 de julho a 3 de agosto de 2025
🕒 Sessões: Sextas e sábados, às 19h30 | Domingos, às 18h
📍 Local: Centro Cultural Olido – Sala Paissandú
📌 Endereço: Av. São João, 473 – Centro Histórico de São Paulo – SP
🎟 Ingressos gratuitos: Retirada 1h antes na bilheteria
🪑 Capacidade: 139 lugares
🔞 Classificação: 16 anos
⏱ Duração: 120 minutos
♿ Acessibilidade: Sim | Sessão com intérprete de Libras no domingo, 3 de agosto
🔗 Reservas online (Sympla): Lima Barreto ao Terceiro Dia em São Paulo
Comentários