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7 Gatinhos faz nova temporada no Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona com sessões aos fins de semana

Clássico de Nelson Rodrigues ganha montagem dirigida por Joana Medeiros, com criação do Viradas da Encruza e participação de Jup do Bairro


7 Gatinhos faz nova temporada no Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona com sessões aos fins de semana
Imagem: Pedro Martins

Depois de temporadas lotadas desde 2024, 7 Gatinhos retorna ao Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, no Bixiga, para uma nova temporada com sessões aos fins de semana. A montagem fica em cartaz até 12 de julho de 2026, com apresentações às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h.


O espetáculo é uma criação do grupo Viradas da Encruza em parceria com o Teatro Oficina Uzyna Uzona. A direção é de Joana Medeiros, que propõe uma leitura do clássico de Nelson Rodrigues a partir de questões contemporâneas ligadas ao feminino, ao patriarcado, à racialidade, à identidade de gênero e às estruturas de poder que atravessam a família brasileira.


Na trama, a família Noronha vive em um cortiço, sustentando uma rede de aparências, hipocrisias e violências. Para preservar a suposta pureza de Silene, a filha mais nova, suas quatro irmãs se prostituem, enquanto o pai finge ignorar o que acontece dentro de casa. A engrenagem familiar, marcada por silêncios e barganhas, começa a ruir quando aquilo que estava escondido vem à tona.


Na montagem do Viradas da Encruza, a principal alteração em relação ao texto original está no deslocamento do espaço. A ação deixa o Grajaú, no Rio de Janeiro, e passa a acontecer em um cortiço do Bixiga, em São Paulo. A mudança reforça a conexão da encenação com o território do Teatro Oficina e com a memória urbana, popular e teatral do bairro.


Para Joana Medeiros, 7 Gatinhos permanece como uma obra de força permanente, não apenas por seu retrato da hipocrisia familiar, mas pela forma como expõe a violência das estruturas patriarcais. A diretora define a dramaturgia como uma espécie de revanche do feminino, sem transformar suas personagens em figuras idealizadas ou moralmente puras. Na montagem, a queda do patriarcado surge atravessada por contradições, humor, desejo e brutalidade.


O processo criativo também amadureceu discussões sobre gênero e racialidade, impulsionadas pela diversidade da equipe, formada por artistas negros, transgêneros e criadores ligados a diferentes linguagens. A encenação busca dar espaço a vozes historicamente silenciadas, propondo uma elaboração coletiva de traumas sociais e individuais.


A presença da Bateria Mirim do Vai-Vai reforça a relação do espetáculo com o Bixiga. Os músicos fazem a abertura da apresentação, recebendo o público desde a fila na Rua Jaceguai até a entrada no teatro, em cortejo pela pista da rua Lina Bo Bardi. A escolha dialoga com o legado de José Celso Martinez Corrêa, especialmente na mistura de linguagens e na ocupação viva do espaço cênico.


A montagem conta ainda com a participação da multiartista Jup do Bairro, que integra a cena como cantora e compositora personagem do cortiço. Durante o espetáculo, ela interpreta canções como Lave a sua Boca, Mulher do Fim do Mundo e uma versão reinventada de Sete Gatinhos, de Erasmo Carlos.

A musicalidade é um dos eixos da encenação. A trilha atravessa referências que vão do rock ao funk, passando por sonoridades brasileiras, efeitos especiais e sons do próprio edifício teatral, como a abertura do teto e o movimento das plataformas. A proposta cria uma experiência de risco e intensidade, aproximando a montagem de uma atmosfera circense.


O elenco é formado por Ana Clara Cantanhede, Bianca Terraza, Gii Lisboa, Henrique Maria, Joana Medeiros, Larissa Silva, Marina Wisnik, Raphael Calheiros, Victor Rosa, Viviane Ganga e Zizi Yndio do Brasil. A banda reúne Adriano Salhab, André Santana, Fefê Camilo, Lufe Bollini e Victor Rosa.


Criado em 2024, o Viradas da Encruza nasceu do encontro entre artistas ligados ao Teatro Oficina Uzyna Uzona, aproximados durante o processo de Mutação de Apoteose, dirigido por Camila Mota. A partir de leituras e experimentações práticas, o grupo escolheu 7 Gatinhos como peça-motor de sua pesquisa, investigando a obra por meio da chamada “Carpintaria do Ator”, metodologia trazida por Joana Medeiros a partir do trabalho do diretor francês Luc Charpantier.


Com 150 minutos de duração e classificação indicativa de 16 anos, 7 Gatinhos ocupa o Teat(r)o Oficina como uma experiência de proximidade, excesso e confronto. No coração do Bixiga, a decadência de uma família se transforma em retrato de uma sociedade marcada por aparência, violência, desejo e ruína.


Serviço

7 Gatinhos

Dramaturgia: Nelson Rodrigues

Direção: Joana Medeiros

Realização: Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona e Viradas da Encruza

Temporada: até 12 de julho de 2026

Dias e horários: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 19h

Local: Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona

Endereço: Rua Jaceguai, 520 – Bixiga – São Paulo/SP

Duração: 150 minutos

Classificação indicativa: 16 anos

Ingressos: vendidos pela Sympla, por lotes1º lote: R$ 30,00 inteira | R$ 15,00 meia — de 11 a 18 de maio2º lote: R$ 40,00 inteira | R$ 20,00 meia — de 18 a 25 de maio3º lote: R$ 60,00 inteira | R$ 30,00 meia — de 25 de maio a 1º de junho4º lote: R$ 80,00 inteira | R$ 40,00 meia — de 1º a 8 de junho5º lote: R$ 100,00 inteira | R$ 50,00 meia — de 8 de junho a 12 de julho

Enxoval de Silene: ingresso de apoio ao espetáculo — R$ 150,00

Observação: ingressos disponíveis enquanto durarem os estoques.


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