A Moratória, clássico de Jorge Andrade, ganha montagem dirigida por Daniel Herz no Teatro Laura Alvim
- Isabel Branquinha

- há 8 horas
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Após temporada de estreia no Teatro dos 4, espetáculo chega a Ipanema com elenco da Cia. Churros de Polvo e pesquisa sobre o ciclo do café

Um dos textos centrais da dramaturgia brasileira, A Moratória, de Jorge Andrade, ganha nova montagem no Rio de Janeiro sob direção e concepção de Daniel Herz. Depois de uma curta temporada no Teatro dos 4, em março de 2026, o espetáculo fica em cartaz de 5 a 26 de junho, no Teatro Laura Alvim, em Ipanema.
A produção tem propositura do produtor e diretor de produção Marcos Arzua, que convidou a Cia. Churros de Polvo e Daniel Herz para revisitar a obra. A nova encenação parte de um olhar contemporâneo sobre o clássico, sem perder de vista o contexto histórico que estrutura a peça: a crise econômica e social provocada pela decadência das elites cafeeiras após 1929.
Escrita nos anos 1950, A Moratória acompanha o colapso de uma família tradicional diante da perda de status, patrimônio e referências. Mais do que registrar uma crise financeira, o texto expõe personagens que resistem ao fim de um mundo e tentam preservar identidades que já não encontram sustentação na realidade ao redor.
Para Daniel Herz, a peça fala justamente dessa tentativa de adiar a perda. “A Moratória, de Jorge Andrade, fala da queda de um mundo e da dificuldade de aceitar o fim. Mais do que uma crise econômica, a peça expõe personagens que tentam adiar a perda, suspender o tempo e preservar identidades que já não se sustentam”, afirma o diretor.
A montagem aposta em um processo de criação marcado por pesquisa e imersão histórica. Antes dos ensaios de cena, o elenco participou de um trabalho de contextualização conduzido por Marcos Arzua, investigando aspectos sociais, econômicos e culturais ligados ao universo da obra de Jorge Andrade e ao ciclo do café no Brasil.
Como parte dessa preparação, os atores visitaram espaços relacionados à formação econômica do país e à memória do período retratado. No Rio de Janeiro, o grupo esteve no Centro Cultural Banco do Brasil, edifício que já abrigou a antiga Bolsa de Valores, além de pontos históricos da cidade. Também fizeram parte do percurso a Floresta da Tijuca e o Parque Lage, áreas que, no século XIX, foram impactadas pelo desmatamento ligado à plantação de café.
A pesquisa se estendeu ainda ao Vale do Café, com destaque para a cidade de Vassouras. O elenco visitou a Casa da Hera, patrimônio histórico da região conhecido por preservar interiores e mobiliário originais de época. O casarão terminou pertencendo a Eufrásia Teixeira Leite, figura associada à preservação da memória do ciclo cafeeiro.
No palco, a montagem é interpretada por Aldrin Cordeiro, Ana Clara Winter, André Andrade, Bruno Jugend, Fernanda Sarriá, Marcela Garcia, Raphael Montenegro e Rebeca Souza. Uma das escolhas dramatúrgicas da encenação está no revezamento dos personagens Lucília, Marcelo e tia Elvira entre integrantes da companhia, criando a possibilidade de diferentes leituras e presenças para esses papéis ao longo da temporada.
Com direção de movimento de Marcia Rubin, cenografia de José Dias, iluminação de Aurélio de Simoni, figurino de Wanderley Gomes e direção musical de Marcello H, a nova montagem de A Moratória propõe um encontro entre um texto fundamental do teatro brasileiro e uma geração de jovens intérpretes interessada em revisitar as marcas históricas, familiares e sociais que ainda atravessam o país.
Serviço
A MoratóriaTexto: Jorge Andrade
Direção e concepção: Daniel Herz
Temporada: de 5 a 26 de junho de 2026
Dias e horários: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 19h
Observação: não haverá sessão nos dias 13 e 19 de junho, em função dos jogos do Brasil na Copa
Local: Teatro Laura Alvim
Endereço: Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema – Rio de Janeiro/RJ
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 80 minutos
Ingressos: R$ 50,00 inteira e R$ 25,00 meia-entrada
Vendas: FUNARJ – Ingressos Oficiais




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