Bichas do Brasil, da Cia. Olhares Molhados, estreia no Teatro Alfredo Mesquita com direção de Lufe Steffen
- Isabel Branquinha

- 10 de out.
- 3 min de leitura
Espetáculo em formato de cabaré celebra a história e a resistência da comunidade LGBTQIAPN+ com humor, crítica e brilho

Até 19 de outubro de 2025, o Teatro Alfredo Mesquita recebe a estreia de Bichas do Brasil, espetáculo inédito da Cia. Olhares Molhados, com direção de Lufe Steffen, criação coletiva e consultoria dramatúrgica de Sérgio Roveri. A peça, de caráter gratuito, tem apresentações de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h.
Explorando a estética vibrante do Teatro de Revista e do cabaré, a montagem presta uma homenagem bem-humorada e provocadora à trajetória da comunidade gay brasileira, celebrando personalidades que marcaram a arte, a política e a cultura nacional.
Um cabaré histórico e debochado
Bichas do Brasil é um espetáculo que mistura teatro, música, dança, dublagens e crítica social, compondo uma “revista histórica” que revisita cinco séculos de existência e resistência LGBTQIAPN+. A dramaturgia não-linear conduz o público em uma viagem do Brasil colonial aos dias atuais, revelando a força e o humor como ferramentas de sobrevivência e afirmação.
“É um trabalho que nasceu do desejo de resgatar as histórias que o tempo e a moral tentaram apagar”, comenta Lufe Steffen, que há três décadas se dedica à pesquisa da cultura LGBTQIAPN+. “Nosso objetivo é fazer rir, emocionar e, acima de tudo, reconhecer as bichas que vieram antes de nós e pavimentaram esse caminho com coragem e purpurina.”
Com estética inspirada no besteirol, no teatro popular e nas revistas musicais brasileiras, Bichas do Brasil mistura ironia, crítica e celebração, transformando a memória em espetáculo.
30 anos de pesquisa e ativismo em cena
Cineasta, escritor, jornalista e dramaturgo, Lufe Steffen já dirigiu mais de 20 filmes — entre curtas, longas e séries — e publicou livros sobre cultura e sexualidade. Seu trabalho é reconhecido por documentar a história da comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil com sensibilidade e irreverência.
Essa trajetória de pesquisa e militância foi a base para a criação de Bichas do Brasil, projeto contemplado pelo Edital Fomento CultSP PNAB nº 22/2024 – Produção e Temporada de Espetáculo Inédito.
O elenco, formado por Carlos Jordão, Cícero Andrade, Cleber D'Nuncio, Cleber Tolini, Jhe Oliveira, Will Nygma e o próprio Lufe Steffen, dá vida a uma série de personagens que transbordam humor, emoção e orgulho, representando múltiplas faces da comunidade gay brasileira ao longo da história.
Uma homenagem às bichas de todas as épocas
Inspirado por montagens anteriores como As Drags Devem Estar Loucas (2019), o novo espetáculo amplia o olhar de Steffen sobre a construção da identidade LGBTQIAPN+ no Brasil. A peça transforma o palco em um espaço de memória, crítica e celebração — onde cada bicha, de ontem e de hoje, tem voz, corpo e história.
“É um espetáculo que conversa com o passado, mas também com o agora”, explica o diretor. “Entre o deboche e a dor, entre o riso e o protesto, há uma mesma força: a de existir com orgulho.”
Sinopse
Da chegada dos portugueses ao Brasil em 1500 até os dias atuais, Bichas do Brasil revisita, com humor e irreverência, a trajetória das pessoas LGBTQIAPN+ que fizeram história na arte, na política, na cultura e na resistência. Um grande cabaré histórico e crítico, composto por esquetes, dublagens, canto e dança, que celebra — com muito brilho — a força da bicha louca brasileira.
Serviço
Espetáculo: Bichas do Brasil
Companhia: Cia. Olhares Molhados
Direção: Lufe Steffen
Consultoria dramatúrgica: Sérgio Roveri
Elenco: Carlos Jordão, Cícero Andrade, Cleber D’Nuncio, Cleber Tolini, Jhe Oliveira, Will Nygma e Lufe Steffen
Realização: Cia. Olhares Molhados
Fomento: Edital CultSP PNAB nº22/2024
Temporada: até 19 de outubro de 2025
Sessões: quinta a sábado, às 20h; domingos, às 19h
Ensaio aberto: 8 de outubro, às 20h
Local: Teatro Alfredo Mesquita – Av. Santos Dumont, 1770, Santana, São Paulo/SP
Ingressos: gratuitos (retirada 1h antes da sessão)
Duração: 105 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Capacidade: 198 lugares
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida









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