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“El Brasil Destituído” estreia no CCSP e questiona a colonização do Brasil

Com direção de Fernanda Raquel, espetáculo subverte a comédia barroca “El Brasil Restituido”, de Lope de Vega, para investigar os processos coloniais que seguem moldando o país. 


“El Brasil Destituído” estreia no CCSP e questiona a colonização do Brasil
Imagem: Mayra Azzi

O espetáculo “El Brasil Destituído” estreia em 28 de maio no Espaço Cênico Ademar Guerra, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), onde segue em cartaz até 28 de junho. Com dramaturgia de Victor Nóvoa, em colaboração com o elenco, e direção de Fernanda Raquel, a montagem parte de uma comédia escrita em 1625 pelo espanhol Félix Lope de Vega y Carpio para expor como o imaginário colonial ainda estrutura modos de representar o Brasil.


A peça se relaciona diretamente com “El Brasil Restituido”, considerada a mais antiga representação teatral documentada sobre o Brasil. No texto original, Lope de Vega dramatiza a expulsão dos holandeses de Salvador pela armada luso-espanhola, em uma narrativa atravessada por propaganda imperial, exotização e disputa pela legitimidade do território. A nova montagem subverte esse material para perguntar: de quem é a terra, quem a reivindica, quem a domina e quem a ocupa?


Em vez de reafirmar esse ponto de vista colonial, “El Brasil Destituído” busca desmontar o documento histórico e a própria máquina teatral que ajudou a fabricar a imagem do Brasil como objeto de restituição à coroa. O espetáculo encara os processos que moldaram o país não na expectativa de superá-los, mas de compreendê-los e, talvez, desativá-los.


A proposta visual e sonora também se afasta do realismo. O desenho de luz de Matheus Brant utiliza sombras e projeções com retroprojetor como recurso dramatúrgico; a cenografia de Renan Marcondes e o figurino de Ayomi Domenica dialogam com o kitsch e com a ideia de restauração; e a direção musical de Dagoberto Feliz ativa fragmentos de repertórios brasileiros, do folclórico ao radiofônico, tratando a própria noção de brasilidade como campo de disputa.


Em cena, estão Ailton Barros, João Pedro Ribeiro, Luane Sato, Nilcéia Vicente e Rodrigo Scarpelli, com participação do músico convidado Victor Motta. A montagem propõe uma teatralidade fabular para lidar com os vazios dos arquivos e com os modos pelos quais a colonialidade ainda se mantém viva na linguagem e no imaginário.


Sinopse

“El Brasil Destituído” é uma subversão de “El Brasil Restituido”, comédia barroca escrita por Félix Lope de Vega y Carpio em 1625. O espetáculo desmonta o documento e a máquina teatral que ajudou a fabricar a imagem do Brasil como objeto de restituição à coroa para questionar os violentos processos coloniais que ainda hoje nos constituem.


Serviço

El Brasil Destituído

Temporada: de 28 de maio a 28 de junho de 2026

 Sessões: quinta a domingo, às 20h

 Local: Centro Cultural São Paulo — Espaço Cênico Ademar Guerra

 Endereço: Rua Vergueiro, 1000, Liberdade, São Paulo

 Ingressos: gratuitos, com retirada na bilheteria física e digital um dia antes, a partir das 14h

 Classificação: 14 anos

 Duração: 60 minutos

 Capacidade: 92 lugares

 Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

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