top of page

Encenação na capela de um cemitério em São Paulo, “Queda de Baleia ou Canto para Dançar com Minha Morte” volta em cartaz a partir de 14 de março

Solo de Bruna Longo, indicado ao Prêmio APCA (Melhor Atriz), retorna para a terceira temporada na Capela do Cemitério do Redentor, no Sumaré, com codireção de Vitor Julian, propondo um rito cênico sobre o tabu da morte na vida cotidiana.


Encenação na capela de um cemitério em São Paulo, “Queda de Baleia ou Canto para Dançar com Minha Morte” volta em cartaz a partir de 14 de março
Imagem: Danilo Apoena

O teatro mais disruptivo de São Paulo pode acontecer onde quase ninguém espera: dentro de um cemitério. É nesse território de silêncio, memória e ritual que “Queda de Baleia ou Canto para Dançar com Minha Morte” retorna em cartaz para sua terceira temporada, ocupando a Capela do Cemitério do Redentor, no Sumaré, de 14 de março a 26 de abril de 2026. Sucesso de público e crítica, o solo é idealizado, escrito e interpretado por Bruna Longo — indicada a Melhor Atriz no Prêmio APCA pelo trabalho — com codireção e provocações dramatúrgicas de Vitor Julian.


Partindo da experiência íntima do falecimento de seu pai, Bruna transforma a perda em matéria de cena e investigação. Em vez de narrar o luto a partir do que ficou, a peça radicaliza o gesto: imagina a própria morte. Na trama, a personagem acaba de morrer e tenta elaborar o luto de si mesma — aquilo que não podemos viver empiricamente — enquanto conduz o público por uma reflexão sobre a finitude, o medo, o silêncio e a negação da morte no cotidiano, além do apagamento progressivo dos ritos fúnebres nas sociedades capitalistas ocidentais.


Um rito cênico entre filosofia, autobiografia e antropologia

“Queda de Baleia” se estrutura como um rito cênico: mistura filosofia, autobiografia, antropologia e teatralidade para investigar como a morte foi higienizada, burocratizada e afastada da vida comum. Na dramaturgia, Bruna aponta a transformação do morrer em procedimento — muitas vezes deslocado do espaço doméstico para o hospital — e o encurtamento industrializado dos rituais, enquanto a cultura contemporânea hipervaloriza a juventude e empurra a finitude para fora do enquadramento.


Sem recorrer a respostas religiosas, a obra constrói um caminho de elaboração pelo próprio teatro: pesquisa artística como liturgia, dramaturgia como oração, presença como partilha. Em um formato íntimo e de lotação reduzida, o espetáculo faz do encontro com o público uma experiência de proximidade — e do espaço do cemitério um dispositivo de sentido: não como cenário “impactante”, mas como lugar onde a morte é concreta, cotidiana e inevitável.


Repercussão crítica

Ao longo das temporadas, o trabalho recebeu leituras que destacam sua dimensão sensível e ritual. Houve quem apontasse a partilha do luto como centro do espetáculo e quem reconhecesse a transformação do tabu da morte em experiência estética. Também foram ressaltadas a coragem interpretativa e a maturidade corporal da atriz ao atravessar diferentes estados de um corpo em cena.


Sinopse

Bruna Longo acaba de morrer e procura elaborar o luto de si mesma — a única coisa que não podemos fazer empiricamente — enquanto reflete sobre a relação humana com a finitude, o tabu da morte na vida cotidiana e o processo de eliminação do rito fúnebre nas sociedades capitalistas ocidentais. Um rito cênico que mistura filosofia, autobiografia, antropologia e teatralidade, inspirado na perda do pai da atriz.


Serviço

Queda de Baleia ou Canto para Dançar com Minha Morte

Temporada: 14 de março a 26 de abril de 2026

Local: Capela do Cemitério do Redentor — Av. Dr. Arnaldo, 1105, Sumaré, São Paulo – SP

Ingressos: R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia)

Vendas: Sympla

Duração: 80 minutos

Classificação: 12 anos

Lotação: 20 lugares


Comentários


bottom of page