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“Nós, Ursos” leva romance de Gilvan Azevedo ao Teatro Commune

Dirigido por André Corrêa, espetáculo acompanha dois homens que decidem viver uma relação afetiva na maturidade

“Nós, Ursos” leva romance de Gilvan Azevedo ao Teatro Commune
Imagem: Daniela Ferreira

O romance “Éramos Ursos e Não Sabíamos”, de Gilvan Azevedo, chega aos palcos em uma adaptação assinada pelo próprio autor. Com estreia marcada para 8 de agosto, no Teatro Commune, em São Paulo, o espetáculo “Nós, Ursos” tem direção de André Corrêa e reúne em cena Gilvan Azevedo e Mauricio Constantino.


A montagem acompanha Saulo e Rodney, dois homens maduros que construíram suas vidas seguindo os caminhos esperados pela sociedade. Pais de família, profissionais estabelecidos e acostumados a responder às expectativas externas, eles se conhecem em um momento em que já carregam escolhas, responsabilidades e silêncios acumulados.


Entre mensagens, viagens e encontros escondidos, os dois passam a construir uma relação que insiste em existir, mesmo quando tudo ao redor parece indicar o contrário. A peça acompanha esse percurso entre afastamentos, pressões familiares, conflitos internos e pequenas conquistas, até o momento em que o segredo deixa de caber nos bastidores.


Misturando humor, drama e poesia, “Nós, Ursos” aborda temas como amor, paternidade, masculinidades, liberdade, envelhecimento, desejo e reinvenção na vida adulta. A montagem também lança luz sobre relações LGBTQIA+ maduras, um recorte ainda pouco frequente na dramaturgia brasileira contemporânea.


Além de assinar a adaptação teatral, Gilvan Azevedo interpreta um dos protagonistas ao lado de Mauricio Constantino, seu marido e parceiro na criação da Cia Salor. A companhia nasceu da experiência da Editora Salor e tem como proposta desenvolver projetos que conectam literatura, teatro e outras linguagens artísticas.


A adaptação não pretende apenas transpor o romance para o palco. Segundo Gilvan, a linguagem teatral permite revelar conflitos que, no livro, acontecem de forma mais interna. “O teatro tem a capacidade de tornar visíveis conflitos que, no romance, acontecem dentro dos personagens. A adaptação não surgiu do desejo de ilustrar o livro, mas de explorar aquilo que o palco pode revelar de maneira única”, afirma o autor.


Na encenação, André Corrêa privilegia as relações entre os personagens e a passagem do tempo. A montagem combina atuação, projeções e desenho de som para acompanhar as mudanças emocionais dos protagonistas e os impasses que atravessam suas trajetórias.


“Vejo Nós, Ursos como uma história sobre pessoas que chegam a um determinado momento da vida e precisam lidar com escolhas feitas, caminhos abandonados e possibilidades que ainda permanecem abertas”, afirma o diretor.


O título faz referência à cultura bear, surgida nos Estados Unidos nos anos 1980 e difundida no Brasil a partir dos anos 1990. Dentro da comunidade LGBTQIA+, o termo “urso” identifica homens gays ou bissexuais que valorizam corpos robustos, pelos e barbas, mas também se relaciona a ideias de acolhimento, autenticidade e pertencimento.


Ao incorporar essa referência, o espetáculo amplia a discussão sobre diversidade de corpos, afetos e masculinidades, evitando reduzir os personagens a um único aspecto de suas identidades. “A peça apresenta dois homens gays, mas não pretende transformar a sexualidade no único eixo de leitura desses personagens. Eles também são filhos, pais, profissionais, amigos, pessoas tentando conciliar expectativas externas e necessidades internas”, afirma Gilvan.


Publicado inicialmente no Brasil e depois lançado em inglês, com o título “We Were Bears and Didn’t Know”, o romance reúne temas como identidade, corpo, pertencimento e novas possibilidades de vida após os 40 anos. No teatro, essa trajetória ganha presença física e concentra o olhar nos vínculos que se formam quando duas pessoas passam a se perguntar se a vida que construíram corresponde à vida que ainda desejam viver.


Serviço

Nós, UrsosTexto e adaptação teatral: Gilvan Azevedo

Direção: André Corrêa

Elenco: Mauricio Constantino e Gilvan Azevedo

Produção e realização: Cia Salor

Temporada: de 8 de agosto a 27 de setembro de 2026

Estreia: 8 de agosto, sábado, às 20h

Local: Teatro Commune

Endereço: Rua da Consolação, 1218 — Consolação, São Paulo — SP

Referência: próximo à estação Higienópolis-Mackenzie

Sessões:Sábados, às 20hDomingos, às 19h

Ingressos: R$ 100 inteira | R$ 50 meia

Vendas: Sympla

Duração: 70 minutos

Classificação indicativa: 16 anos


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