“Prazer, Zezé!” estreia no Sesc 14 Bis e transforma seis décadas de Zezé Motta em musical
- Isabel Branquinha

- há 33 minutos
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Montagem entra em cartaz em 20 de março, no Teatro Raul Cortez (Sesc 14 Bis), e acompanha a trajetória de Zezé Motta da juventude ao protagonismo histórico nas artes e no ativismo cultural. Temporada vai até 21 de abril.

Zezé Motta é uma referência central da cultura brasileira contemporânea — não apenas como atriz e cantora, mas como artista que abriu caminhos e ampliou possibilidades de existência para mulheres negras nas artes do país. Essa história ganha cena em “PRAZER, ZEZÉ! O MUSICAL”, produção da Gávea Filmes, que estreia em 20 de março no Teatro Raul Cortez, Sesc 14 Bis, em São Paulo, com apresentações de quinta a domingo até 21 de abril de 2026.
A montagem atravessa seis décadas de atuação pública e criação artística: da juventude em Campos dos Goytacazes (RJ) e a formação no Teatro Escola Tablado, ao impacto de “Roda Viva” (sob direção de Zé Celso), passando pela projeção nacional com “Xica da Silva” (no cinema de Cacá Diegues), a consagração popular e a construção de uma identidade artística que nunca se moldou ao olhar alheio. O espetáculo evita a biografia linear e articula episódios, embates, quedas e retomadas, compondo o retrato de uma mulher que precisou disputar cada espaço em um campo cultural atravessado por desigualdades estruturais.
A própria Zezé Motta comenta o impacto de ver sua trajetória em cena:
“Olhar para trás e me ver ali, no palco, com a minha própria história sendo contada, é uma emoção difícil de explicar… é um presente.”
Para a diretora artística Débora Dubois, o ponto de partida foi recusar uma leitura confortável:
“A história dela é a de uma artista que precisou disputar cada espaço em um país que sempre naturalizou a exclusão de corpos negros dos lugares de protagonismo.”
Elenco, música ao vivo e encontros decisivos
Em cena, Larissa Noel interpreta Zezé Motta em diferentes fases da vida, acompanhada por 11 intérpretes e uma banda com oito músicos. O espetáculo também dramatiza encontros marcantes da trajetória da homenageada, como seu namoro e amizade com Antônio Pitanga (vivido por Hipólyto, que também interpreta Luiz Melodia) e as relações com nomes fundamentais do teatro brasileiro como Augusto Boal e Zé Celso (ambos interpretados por Adriano Tunes).
A trilha sonora costura canções associadas à trajetória da artista e ao período histórico retratado, incluindo títulos como “Senhora Liberdade”, “Tigresa” e “Muito Prazer, Zezé”, com direção musical de Cláudia Elizeu, que propõe novas camadas para sucessos icônicos dentro da dramaturgia.
Visual e encenação
A direção de arte de Billy Castilho aposta na ideia de um backstage teatral como linguagem: um espaço onde tudo está em cena — movimentação, trocas de figurino e construção da persona pública, em uma paleta que trabalha preto e ferrugem, cruzando ferro e tecnologia. Figurinos de Lena Santana, desenho de luz de Wagner Pinto e coreografias de Tainara Cerqueira e Priscila Borges completam a composição cênica.
Com idealização e dramaturgia de Toni Brandão, o musical se afasta da celebração protocolar e propõe um olhar que inclui poder, racismo, desejo, contradições e permanência como forças estruturantes da narrativa.
“PRAZER, ZEZÉ! O MUSICAL” é realizado pelo Ministério da Cultura e Sesc São Paulo, com patrocínio do Bradesco Seguros, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Serviço
PRAZER, ZEZÉ! O MUSICAL
Onde: Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 2º andar – Bela Vista, São Paulo)
Temporada: 20 de março a 21 de abril de 2026 Horários:
Quintas: 15h e 20h
Sextas e sábados: 20h
Domingos e feriados: 18h
Sessões extras: 1/04 (quarta), 20h | 21/04 (terça), 20h
Não haverá sessão em 03/04
Acessibilidade
Libras: 9 a 12/04 (qui 15h e 20h; sex e sáb 20h; dom 18h)
Audiodescrição: 11/04 (20h) e 12/04 (18h)
Classificação: 12 anos Ingressos: R$ 70 (inteira) | R$ 35 (meia) | R$ 21 (credencial plena)




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