Teatro da Vertigem volta a São Paulo com Agropeça no Espaço Cultural Elza Soares, o Galpão do MST
- Isabel Branquinha

- há 1 dia
- 3 min de leitura
Vencedor do Prêmio Shell de Direção e Cenografia, espetáculo retorna para nova temporada, com ingressos populares no Sympla.

O Teatro da Vertigem reestreia em São Paulo o espetáculo Agropeça, criação recente do grupo paulistano conhecido por experiências cênicas imersivas e pela ocupação de espaços não convencionais. Com concepção e direção de Antonio Araújo, texto final de Marcelino Freire e co-direção de Eliana Monteiro, a montagem faz temporada de 27 de fevereiro a 29 de março de 2026 no Espaço Cultural Elza Soares (Alameda Eduardo Prado, 474), espaço também conhecido como Galpão do MST.
Os ingressos têm preços populares (de R$ 20 a R$ 40) e já estão à venda pelo Sympla.
Uma arena para disputar sentidos
Diferente de montagens anteriores do Vertigem — realizadas em igrejas, hospitais, presídios desativados e até no Rio Tietê —, Agropeça transforma o ambiente em arena, reforçando a ideia de disputa política, simbólica e social. A imersão, marca do grupo, permanece como eixo estruturante da encenação, agora ancorada em um espaço que se assume como campo de confronto.
Rodeio, agronegócio e imaginário brasileiro
O espetáculo lança um olhar crítico sobre o universo rural e a influência do agronegócio na sociedade brasileira contemporânea, tomando o rodeio como linguagem cênica. Para isso, convoca personagens centrais do imaginário nacional — Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Nastácia, Dona Benta, Visconde de Sabugosa e o Marquês de Rabicó — criações de Monteiro Lobato, que surgem como eixo simbólico e narrativo em uma releitura livre e provocadora de O Sítio do Picapau Amarelo.
Dividida em três blocos narrados por Pedrinho, Tia Nastácia e Emília, a obra articula episódios recentes da realidade política brasileira, o imaginário rural e a herança cultural do Sítio. A figura do rodeio — investigada durante o processo criativo — aparece como metáfora de um país que insiste em atualizar estruturas de exploração herdadas do passado.
Elenco e criação
O elenco reúne Andreas Mendes, James Turpin, Mawusi Tulani, Paulo Arcuri, Tenca Silva, Lola Fanucchi, Victor Salomão e Vinicius Meloni. A cenografia é de Eliana Monteiro e William Zarella Junior, com iluminação de Guilherme Bonfanti, figurinos de Awa Guimarães e direção musical de Dan Maia.
A temporada integra as comemorações de 30 anos do Teatro da Vertigem, reafirmando a trajetória do grupo na criação de obras que tensionam memória, espaço e identidade brasileira.
“Com Agropeça, o Teatro da Vertigem oferece uma resposta honesta, vibrante e necessária às urgências do nosso tempo, apostando numa cena performativa potente, arriscada e profundamente conectada às fraturas do país.” — Valmir Santos, Teatrojornal
Sinopse
Em uma arena que ora é rodeio, ora é o centro de um sítio, personagens se enfrentam à mesa de jantar ou diante de um touro bravio, tentando decifrar um país que “rumina” e “agoniza” em busca do próprio destino. Não se sabe se o que se vê é o retrato de um Brasil cruel e conservador ou uma antiga fábula infantil que ajudou a moldar o imaginário nacional.
Serviço
AGROPEÇA — uma criação do Teatro da Vertigem
Temporada: 27/02 a 29/03/2026
Sessões: sextas e sábados, 20h | domingos, 18h
Local: Espaço Cultural Elza Soares (Galpão do MST) — Alameda Eduardo Prado, 474 — São Paulo (SP)
Ingressos: R$ 40 (inteira) | R$ 20 (meia) — via Sympla
Duração: 90 minutos
Classificação: 16 anos




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