Um ano após a morte de Marina Colasanti, Como Todos os Atos Humanos segue em temporada no Sesc Pinheiros
- Isabel Branquinha

- há 11 horas
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Com dramaturgia e atuação de Fani Feldman e direção de Rui Ricardo Diaz, espetáculo da Cia. do Sopro está em cartaz no Auditório do Sesc Pinheiros até 21 de fevereiro de 2026.

Depois de uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, Como Todos os Atos Humanos, da Cia. do Sopro, voltou a São Paulo e estreou em 22 de janeiro no Auditório do Sesc Pinheiros, onde permanece em cartaz até 21 de fevereiro de 2026. As apresentações acontecem de quinta a sábado, às 20h30 — e, no dia 6 de fevereiro, além da sessão das 20h30, haverá uma sessão extra às 16h.
Com dramaturgia e atuação de Fani Feldman (Cleo na primeira temporada de Impuros) e direção de Rui Ricardo Diaz (protagonista da série Impuros), o espetáculo toma como ponto de partida obras de Marina Colasanti, Giorgio Manganelli e Nelson Coelho, construindo um universo atravessado pelo realismo fantástico. A montagem dialoga ainda com referências visuais de artistas como Francis Bacon e Edvard Munch, explorando a deformação e a potência expressiva da figura humana.
Marina Colasanti como referência central da dramaturgia
A temporada acontece em janeiro, mês em que se completa um ano da morte de Marina Colasanti, uma das mais importantes escritoras da literatura brasileira contemporânea. Reconhecida por sua escrita poética e crítica, profundamente ligada às questões de gênero, a autora é apontada como referência central na construção dramatúrgica do espetáculo.
Um “parricídio ocular” e a inversão do mito de Electra
Na encenação, um gesto extremo — um parricídio metafórico, simbolizado por “furar o olho do pai” — surge como ato de ruptura e insubmissão. A narrativa estabelece um diálogo invertido com o mito de Electra e expõe, por meio de imagens arquetípicas, mecanismos de vigilância, dominação e silenciamento impostos ao corpo e ao destino das mulheres.
O espetáculo integra o trabalho continuado da Cia. do Sopro, que fundamenta seus processos no Laboratório Dramático do Ator, a partir de pesquisa desenvolvida há mais de três décadas por Antonio Januzelli, referência na investigação do intérprete criador e preparador do trabalho.
Repercussão crítica
A crítica especializada destacou a força da atuação solo e a densidade simbólica da encenação:
“Fani, no palco, é uma festa: transmuda-se para outra região da alma onde tudo é possível; pratica metamorfoses vertiginosas; insurge-se contra o destino e consegue (ao longo de todo o espetáculo) valer-se como mulher, como artista, como ser humano.” (Teatro Hoje RJ, por Furio Lonza)
“Um espetáculo imperdível que acredita na magia do teatro para que a Humanidade suba um patamar rumo à redenção social e artística. A Cia. do Sopro faz jus a seu nome…” (Teatro Hoje RJ, por Furio Lonza)
“Em cena, atestamos a segurança de uma atriz em pleno domínio de seu corpo e voz…” (Caderno de Críticas do CCBB-SP, por Welington Andrade)
Em crítica da Folha de S.Paulo, Caio Liudvik observa que o monólogo aborda situações extremas de violência e terror sem recorrer a clichês psicológicos, construindo uma cena de forte impacto sensorial e clareza conceitual.
Em tempos de altos índices de feminicídio, o espetáculo reafirma sua atualidade e potência, convidando o público a refletir sobre um ato metafórico que sugere o aniquilamento arquetípico do patriarcado e um extermínio catártico da vigilância imposta ao corpo e ao destino das mulheres.
Sinopse
Como Todos os Atos Humanos investiga a naturalização da violência e a perpetuação histórica das estruturas patriarcais. Em uma inversão do mito de Electra, constrói uma narrativa sombria sobre uma filha inexistente que, simultaneamente fascinada e subjugada pela figura paterna, rompe o ciclo de dominação ao exterminá-lo, furando seus olhos com um estilete. Esse “parricídio ocular” instaura em cena o aniquilamento arquetípico do patriarcado e da vigilância que a ordem masculina impõe ao corpo e ao destino da mulher.
Serviço
Como Todos os Atos Humanos (Cia. do Sopro)
Temporada: 22 de janeiro a 21 de fevereiro de 2026 (já em cartaz)
Sessões: quinta a sábado, às 20h30 (em 6/2 também às 16h) Local: Sesc Pinheiros — Auditório — Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena)
Vendas: sescsp.org.br ou na bilheteria de qualquer unidade
Duração: 55 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 100 lugares
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida Instagram: instagram.com/ciadosopro/









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