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“A Última Valsa de Zelda Fitzgerald” estreia em São Paulo e recoloca Zelda no centro da própria história

Solo com Larissa da Matta, com direção de Pedro Amaral, faz temporada de 9 a 24 de abril de 2026 no ⁰Andar, em Santa Cecília


Por décadas, Zelda Fitzgerald foi lembrada mais como símbolo da Era do Jazz do que como artista. A imagem pública — a “musa” dos anos 1920, a esposa “difícil”, a figura “instável” — frequentemente a empurrou para um lugar secundário diante do brilho de F. Scott Fitzgerald, autor de O Grande Gatsby. Em “A Última Valsa de Zelda Fitzgerald”, esse enquadramento é deslocado: o espetáculo devolve complexidade a uma mulher escritora, pensadora e criadora, cuja voz foi muitas vezes abafada pela narrativa construída ao seu redor.


Com atuação e concepção de Larissa da Matta e dramaturgia assinada por ela em parceria com Pedro Amaral (que também assume a direção), o solo estreia em 9 de abril de 2026, em São Paulo, propondo uma imersão na vida de Zelda para além do imaginário romântico e trágico que a transformou em personagem coadjuvante de uma história masculina.


Em cena, a trajetória de Zelda emerge como a de uma mulher em conflito com o próprio tempo: da juventude no sul dos Estados Unidos à consagração social nos anos 1920, passando pelos embates do casamento, pela tensão entre vida íntima e produção artística, pela disputa de autoria da própria vida e pelo agravamento de sua saúde mental. Entre festas, delírios, memórias e internações, o espetáculo constrói o retrato de uma figura intensa, contraditória e profundamente humana.


A pesquisa que virou urgência de cena

A origem da montagem remonta à adolescência de Larissa da Matta, quando o contato com Zelda — e com a forma como era retratada — despertou o desejo de investigar quem ela era para além da caricatura. No percurso, um dado se impôs: ainda hoje há pouco material disponível, especialmente em português, e parte do que circula sobre Zelda reproduz leituras atravessadas por preconceitos de época.


Nesse processo, o encontro com “Esta Valsa é Minha”, romance publicado no Brasil pela Companhia das Letras, foi decisivo. Escrito em seis semanas durante um período de internação, o livro chamou atenção pela escrita fragmentada e imagética e pela forma singular com que Zelda recria a própria experiência por meio da personagem Alabama — uma chave que impulsiona a passagem para a cena.

Anos depois, em 2021, já perto de concluir sua pós-graduação lato sensu na Escola Superior de Artes Célia Helena, Larissa retomou Zelda como tema central de pesquisa, investigando também a vida e a obra de diversas artistas invisibilizadas pela história. Agora, em 2026, o material ganha novo corpo com a entrada de Pedro Amaral na direção e dramaturgia, ampliando a visão sobre vida e obra de Zelda Fitzgerald.


Um solo sobre apagamento — e sobre o presente

Mais do que revisitar uma personagem histórica, “A Última Valsa de Zelda Fitzgerald” dialoga diretamente com o agora. Ao colocar Zelda no centro, a montagem aciona uma reflexão sobre autoria, reconhecimento e mecanismos de apagamento que atravessam gerações — e ainda operam no presente.


O espetáculo marca também a primeira produção teatral assinada pelo Foyer, plataforma de comunicação, cultura e criação de projetos autorais, ampliando sua atuação no campo da produção e reforçando o compromisso com obras que articulam arte, pensamento e relevância contemporânea.


Sinopse

A Última Valsa de Zelda Fitzgerald revisita a trajetória de uma mulher brilhante, intensa e muitas vezes silenciada pela história. Do sul dos Estados Unidos à consagração como ícone dos anos 1920 ao lado de F. Scott Fitzgerald, o espetáculo acompanha sua ascensão social, os conflitos no casamento, a disputa pela autoria da própria vida, as tentativas de se afirmar como artista e o agravamento de sua saúde mental. Entre festas, delírios e internações, emerge o retrato de uma mulher complexa que lutou para existir com voz própria — muito além do papel de musa ao qual foi tantas vezes reduzida.


Serviço

Espetáculo: A Última Valsa de Zelda Fitzgerald 

Temporada: 9, 10, 16, 17, 23 e 24 de abril de 2026 

Dias e horários: quintas e sextas, às 20h 

Local: ⁰Andar Endereço: Rua Dr. Gabriel dos Santos, 88 – Santa Cecília – São Paulo 

Acesso: a 6 minutos da estação Marechal Deodoro (Metrô) 

Ingressos: via Sympla ou na bilheteria do espaço 

Estacionamento conveniado: Rua Dr. Gabriel dos Santos, 131 (retirar carimbo na secretaria) 

Preço único: R$ 20,00 

Pagamento: Pix e débito


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