ARGILA, obra-instalação de Áurea Maranhão, estreia no Sesc Ipiranga e propõe ritual cênico sobre heranças coloniais e justiça climática
- Isabel Branquinha
- 11 de jul.
- 2 min de leitura
Espetáculo do Maranhão fica em cartaz de 18 de julho a 10 de agosto, no projeto Teatro Mínimo do Sesc Ipiranga

Um ritual cênico feito de barro, palavra e música. É assim que o espetáculo ARGILA, criação da atriz, dramaturga e diretora Áurea Maranhão, chega a São Paulo para temporada de estreia no Sesc Ipiranga, dentro do projeto Teatro Mínimo, de 18 de julho a 10 de agosto de 2025. As sessões ocorrem às sextas-feiras, às 21h30, e aos sábados e domingos, às 18h30.
Vinda de São Luís do Maranhão, a obra une performance ao vivo, som imersivo e iluminação coreografada para refletir sobre ancestralidade, justiça climática e transformação social. Em cena, uma cidade em miniatura feita de argila serve de cenário para contar histórias de um Brasil marcado por violência colonial, colapsos ambientais e urgências contemporâneas.
Barro como símbolo de memória, resistência e futuro
A argila, mais que matéria, se torna metáfora: moldar o barro é reimaginar o mundo. Em ARGILA, o barro é símbolo da resiliência dos corpos e da memória coletiva, e o processo cênico se transforma num gesto de cura. Com dramaturgia livremente inspirada nos livros Sonho Manifesto de Sidarta Ribeiro e nas obras de Ailton Krenak, a montagem propõe um reencontro entre humanidade e natureza, passado e futuro.
“Nosso trabalho com a argila busca recuperar a escuta do corpo e curar as mazelas da contemporaneidade, como a solidão causada pela virtualidade e a desconexão com nossos desejos”, afirma Áurea Maranhão.
Uma experiência sensorial e política
Unindo teatro, instalação e música ao vivo, ARGILA é construída por uma equipe de artistas negros e indígenas do Maranhão. A trilha original é executada ao vivo por Valda Lino, que também assina a direção musical. A encenação ainda conta com direção de movimento de Luty Barteix, arte e figurinos de Eli Barros, luz de Renato Guterres e identidade visual de Amanda Travassos.
A narrativa percorre diferentes formas de expressão — do épico à confissão — enquanto aborda temas como ancestralidade, justiça social, colapso climático e reinvenção coletiva. Cada sessão se torna uma arena viva de reflexão sobre quem fomos, quem somos e quem ainda podemos ser, se ousarmos sonhar juntos.
Do Maranhão ao Sesc Ipiranga: resistência nordestina em cena
Com realização da produtora-coletivo Terra Upaon Açu Filmes, ARGILA valoriza a criação autoral e o protagonismo do Norte e Nordeste no teatro contemporâneo. A obra reforça o papel da arte como espaço de denúncia e reconstrução, evocando um teatro sensorial e politicamente urgente.
SERVIÇO — ARGILA
📍 Local: Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga – São Paulo
📅 Temporada: 18 de julho a 10 de agosto de 2025
🕗 Horários: sextas às 21h30; sábados e domingos às 18h30
🎟️ Ingressos:
R$ 50 (inteira)
R$ 25 (meia)
R$ 15 (credencial plena)
🔗 Vendas online: a partir de 8/7, às 17h, no site sescsp.org.br
🛒 Vendas presenciais: a partir de 9/7, às 17h
⌛ Duração: 55 minutos
👥 Classificação: 12 anos
♿ Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
🎭 Capacidade: 60 lugares
Comentários