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“Divórcio” discute violência de gênero a partir de documentos reais e relatos de vida

Em cartaz na Funarte SP, espetáculo com Raissa Gregori e Dina Alves cruza histórias de mulheres e homens em ano que marca os 20 anos da Lei Maria da Penha

“Divórcio” discute violência de gênero a partir de documentos reais e relatos de vida
Imagem: Marcos Ankosqui

O que aproxima uma mulher da elite paulistana em processo de separação nos anos 1980 de uma migrante nordestina presa a sucessivos relacionamentos abusivos? Em “Divórcio”, essas histórias se conectam a experiências contemporâneas de mulheres e homens que tentam compreender os efeitos da violência de gênero nas relações afetivas.


O espetáculo está em cartaz no Complexo Cultural Funarte SP, em São Paulo, até 26 de julho, com sessões às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. A montagem tem dramaturgia de Raissa Gregori e Alexandre Dal Farra, direção de Raissa e atuação de Dina Alves e da própria diretora.


Construída a partir de documentos reais, pesquisa de campo e relatos de vida, a peça articula quatro narrativas que atravessam épocas, classes sociais e perspectivas distintas. Em cena, Maria Helena tenta elaborar o fim de um casamento marcado por estruturas patriarcais. Maria Sansão busca escapar de relações abusivas que parecem se repetir. No presente, duas mulheres conversam sobre amor, trabalho, maternidade e autonomia, enquanto dois homens tentam entender seus próprios comportamentos dentro de uma sociedade marcada pelo machismo.


O ponto de partida da criação foi a descoberta de um conjunto de cartas que documentava um processo de divórcio em uma família de classe média alta de São Paulo, nos anos 1980. Ao entrar em contato com o material, a psicóloga Cecília Galvani identificou nos documentos um registro das dinâmicas de poder que atravessam relações de gênero e se repetem ao longo das gerações.


A partir dessas cartas, a equipe iniciou uma pesquisa mais ampla sobre expressões do patriarcado em diferentes contextos sociais. Ao longo de mais de dois anos, foram realizadas entrevistas com advogados, psicanalistas, mulheres acolhidas em centros de referência e homens participantes de grupos reflexivos previstos pela Lei Maria da Penha.


“Queríamos retratar a violência de gênero em diferentes épocas e condições sociais, mas também encontrar uma forma de dialogar com os homens e convidá-los a se implicarem nessa discussão”, afirma Raissa Gregori.


A dramaturgia combina ficção, pesquisa documental e testemunhos reais. Entre as referências do processo estão relatos publicados em “Histórias de Marias”, coletânea organizada pela União de Mulheres durante ações de mobilização em torno da Lei Maria da Penha, e o livro “Melhor não contar”, de Tatiana Salem Levy, publicado em 2024.


Em cena, Dina Alves e Raissa Gregori transitam por múltiplos personagens, tempos históricos e registros de atuação. A estrutura fragmentada aproxima memória, documento, ficção e testemunho, revelando como determinadas formas de violência se transformam ao longo do tempo sem necessariamente desaparecer.


A temporada acontece em um momento simbólico. Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Considerada um marco no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil, a legislação ampliou mecanismos de proteção e responsabilização. O período também coincide com a implementação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, iniciativa voltada à articulação de ações públicas para prevenção da violência letal contra mulheres.


Sem oferecer respostas simples, “Divórcio” propõe um encontro entre histórias íntimas e questões coletivas. A peça observa os modos como amor, poder, herança familiar, silêncio e medo podem atravessar relações afetivas, ao mesmo tempo em que aponta para a necessidade de diálogo e enfrentamento.


O projeto foi contemplado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de São Paulo — ProAC.


Serviço

Divórcio

Dramaturgia: Alexandre Dal Farra e Raissa Gregori

Direção: Raissa Gregori

Atuação: Dina Alves e Raissa Gregori

Pesquisa: Cecília Galvani e Eleonora Nacif

Produção e realização: Corpo Rastreado

Idealização: Cecília Galvani

Temporada: de 3 a 26 de julho de 2026

Local: Complexo Cultural Funarte SP — Sala Carlos Miranda

Endereço: Alameda Nothmann, 1058 — Campos Elíseos, São Paulo — SP

Sessões:Sextas e sábados, às 20hDomingos, às 18h

Ingressos: R$ 50 inteira | R$ 25 meiaA meia-entrada é válida para estudantes, servidores de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência.

Vendas: Sympla

Informações: (11) 95078-3004

Duração: 90 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Instagram: @divorcioapeca


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