Marco França estreia A Última Cova, de Newton Moreno, no Sesc Pompeia
- Isabel Branquinha

- há 1 dia
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Com direção de Ana Rosa Genari Tezza, solo inédito com música ao vivo narra as aventuras de um coveiro nordestino que chega a São Paulo em busca da mãe

O ator, músico e diretor musical Marco França estreia no dia 1º de julho de 2026 o solo A Última Cova, espetáculo inédito com dramaturgia de Newton Moreno e direção de Ana Rosa Genari Tezza. A temporada acontece no Espaço Cênico do Sesc Pompeia, em São Paulo, com apresentações de quarta a sexta-feira, às 19h30.
Idealizado por Marco França, o espetáculo nasceu do desejo de discutir a morte como forma de olhar para a urgência da vida. Em cena, o artista interpreta Djalma, um coveiro nordestino que chega à capital paulista em busca da mãe, carregando consigo sua pá, chamada por ele de “potiguar”.
Djalma nunca aceitou que a mãe o tivesse deixado para se aventurar pelo mundo. Em São Paulo, trabalha em cemitérios enquanto procura, nos olhos de mães enlutadas, algum vestígio da mulher que perdeu. Ao mesmo tempo, observa as injustiças vividas por mortos e vivos, como se sua pá pudesse corrigir, ainda que por instantes, algumas das mazelas do mundo.
A narrativa acompanha esse homem que, entre sepultamentos, pedidos insólitos e situações-limite, aprende a burlar estruturas para cumprir os desejos daqueles que cruzam seu caminho. Até que, ao desrespeitar uma nova ordem, precisa enfrentar as consequências de seu gesto e cavar sua última cova.
O processo de criação levou cerca de dois anos e reuniu artistas habituados a trabalhos de pesquisa e criação coletiva. Marco França integrou por 15 anos o grupo potiguar Os Clowns de Shakespeare; Ana Rosa Genari Tezza é diretora artística da Trupe Ave Lola de Teatro; e Newton Moreno integrou a companhia Os Fofos Encenam. A montagem carrega essa experiência de escuta, tempo e troca.
A ideia de encomendar a peça surgiu depois que Marco França assistiu, em Santiago, no Chile, a um espetáculo sobre Leoncio Badía Navarro, coveiro que viveu durante a ditadura franquista em Paterna, na Espanha. A partir dessa experiência, o artista passou a imaginar quantas histórias um cemitério poderia guardar e encontrou ali o ponto de partida para o novo trabalho.
Para Newton Moreno, Djalma representa a resiliência e a inconformidade do homem nordestino. O personagem carrega uma pergunta que atravessa a montagem: justiça é mesmo coisa deste mundo? A partir dessa inquietação, A Última Cova dá voz a sujeitos invisibilizados, pessoas que enfrentam cotidianamente estruturas de abandono, mentira e desigualdade.
A direção de Ana Rosa Genari Tezza aposta em uma linguagem popular, atravessada pela palhaçaria, pela oralidade dos repentes e pela força comunicativa da canção brasileira. A proposta é explicitar o jogo teatral para o público e, ao mesmo tempo, conduzir a plateia por uma viagem poética por um Brasil vivido e imaginado.
A música ao vivo tem papel central na encenação. Além de Marco França, estão em cena os músicos Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo. O núcleo de criação musical conta ainda com Arthur Jaime e Breno Mont Serrat.
A cenografia e os figurinos são assinados por Kleber Montanheiro, que opta por fugir do realismo para trabalhar a ideia de lembrança. Em vez de ilustrar as histórias, os elementos visuais buscam fazer emergir vestígios, ecos e memórias de vidas que já passaram, mas continuam presentes.
O desenho de luz de Gabriele Souza também contribui para embaralhar os limites entre palco e plateia, aproximando corpos, sombras, presenças, ausências e tempos diferentes. A proposta visual reforça a atmosfera de um território concreto e frio, mas também atravessado por cores, encantamentos e histórias que permanecem.
Com produção da Morente Forte Produções Teatrais e Galado Recordis, o espetáculo reúne memória, oralidade, humor e poesia para abordar vida, morte, ausência e justiça. Ao olhar para a finitude, A Última Cova devolve ao público uma pergunta sobre o que ainda precisa ser vivido, reparado e escutado.
Serviço
A Última Cova
Texto: Newton Moreno
Com: Marco França
Direção: Ana Rosa Genari Tezza
Temporada: de 1º a 31 de julho de 2026
Dias e horários: de quarta a sexta-feira, às 19h30
Observações:A sessão do dia 9 acontece às 17h30, em razão do feriado.Há sessão extra no dia 30, às 15h30.
Local: Sesc Pompeia – Espaço Cênico
Endereço: Rua Clélia, 93 – Água Branca – São Paulo/SP
Ingressos:R$ 50,00 inteiraR$ 25,00 meia-entradaR$ 15,00 credencial plena
Vendas: a partir de 23 de junho, online pelo site do Sesc SP ou na bilheteria de qualquer unidade do Sesc SP
Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Gênero: narrativa folhetinesca-melofantástica-cordelística
Acessibilidade: sala acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida




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