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“Mulheres de Troia” estreia no Teatro Itália com olhar sobre guerra e sobrevivência feminina

Livremente inspirado em “As Troianas” e “Trojan Barbie”, espetáculo do Coletivo Treze Pontas cruza mito e presente em apresentação única

“Mulheres de Troia” estreia no Teatro Itália com olhar sobre guerra e sobrevivência feminina
Imagem: Gui Assano


As marcas da guerra não terminam quando o conflito acaba. Em “Mulheres de Troia”, espetáculo que estreia nesta quinta-feira, 16 de julho, no Teatro Itália, em São Paulo, a destruição de um território é observada a partir das vozes de mulheres atravessadas pela perda, pela memória e pela sobrevivência.

Realizada pelo Coletivo Treze Pontas, em parceria com a Cygnus Produções, a montagem tem direção geral de João Hannuch e parte de uma criação coletiva livremente inspirada em “As Troianas”, de Eurípides, e em “Trojan Barbie”, da dramaturga Christine Evans.


Na trama, Lotte, uma restauradora de bonecas, viaja até as ruínas da antiga Troia. No local, passa a escutar memórias de mulheres cujas vidas foram marcadas pela destruição da cidade. A partir desse encontro, a encenação propõe um cruzamento entre mito e atualidade para discutir os impactos da guerra sobre corpos, territórios e histórias femininas.


A escolha de dialogar com “As Troianas” aproxima o espetáculo de uma das tragédias mais contundentes sobre as consequências da guerra. Em vez de observar o conflito pelo ponto de vista dos vencedores ou dos heróis, a peça desloca a atenção para aquelas que sobrevivem à devastação e precisam lidar com o que resta depois da violência.


A presença de “Trojan Barbie” como uma das referências amplia essa leitura contemporânea. A obra de Christine Evans também revisita o mito troiano a partir de uma mulher do presente que entra em contato com figuras femininas da guerra, criando um diálogo entre temporalidades distintas.


Em “Mulheres de Troia”, esse encontro entre passado e presente aparece na construção cênica, que aposta na pesquisa de coro, na musicalidade e na composição coletiva. A montagem utiliza o mito não como reconstrução histórica, mas como ferramenta para pensar questões que permanecem atuais: deslocamento, apagamento, violência, luto e resistência.


O espetáculo marca a primeira montagem pós-acadêmica do Coletivo Treze Pontas, criado em 2024 a partir do encontro de estudantes do Núcleo de Capacitação Artística, localizado no Edifício Itália. O grupo reúne artistas com diferentes trajetórias e propõe o teatro como espaço de escuta, criação coletiva e transformação social.


Com elenco numeroso, “Mulheres de Troia” ocupa a cena a partir de múltiplas vozes. A estrutura coral reforça a ideia de que a guerra não produz apenas uma narrativa, mas muitas memórias interrompidas, muitas perdas e muitas formas de permanecer.


Serviço

Mulheres de Troia

Gênero: tragédia grega contemporânea

Direção geral: João Hannuch

Texto: criação coletiva, livremente inspirada em “As Troianas”, de Eurípides, e em “Trojan Barbie”, de Christine Evans

Realização: Coletivo Treze Pontas e Cygnus Produções

Elenco: Clara Frare, Gui Assano, Izadora Vieira, Janiny Thomaz, Laís Rodrigues, Lilith Padovani, Lívia Néris, Pablo Vitoriano, Pedro Vasconcellos, Rayssa Fernandes, Samm Oliveira, Samuel Chagas, Viana e Vitor Póvoa

Data: 16 de julho de 2026, quinta-feira

Horário: 20h

Local: Teatro Itália

Endereço: Avenida Ipiranga, 344 — Subsolo — República, São Paulo — SP

Ingressos: disponíveis via Sympla

Duração: 80 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

Apoio: Museu de Memória do Bixiga


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