“Mulheres de Troia” estreia no Teatro Itália com olhar sobre guerra e sobrevivência feminina
- Isabel Branquinha

- há 12 minutos
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Livremente inspirado em “As Troianas” e “Trojan Barbie”, espetáculo do Coletivo Treze Pontas cruza mito e presente em apresentação única

As marcas da guerra não terminam quando o conflito acaba. Em “Mulheres de Troia”, espetáculo que estreia nesta quinta-feira, 16 de julho, no Teatro Itália, em São Paulo, a destruição de um território é observada a partir das vozes de mulheres atravessadas pela perda, pela memória e pela sobrevivência.
Realizada pelo Coletivo Treze Pontas, em parceria com a Cygnus Produções, a montagem tem direção geral de João Hannuch e parte de uma criação coletiva livremente inspirada em “As Troianas”, de Eurípides, e em “Trojan Barbie”, da dramaturga Christine Evans.
Na trama, Lotte, uma restauradora de bonecas, viaja até as ruínas da antiga Troia. No local, passa a escutar memórias de mulheres cujas vidas foram marcadas pela destruição da cidade. A partir desse encontro, a encenação propõe um cruzamento entre mito e atualidade para discutir os impactos da guerra sobre corpos, territórios e histórias femininas.
A escolha de dialogar com “As Troianas” aproxima o espetáculo de uma das tragédias mais contundentes sobre as consequências da guerra. Em vez de observar o conflito pelo ponto de vista dos vencedores ou dos heróis, a peça desloca a atenção para aquelas que sobrevivem à devastação e precisam lidar com o que resta depois da violência.
A presença de “Trojan Barbie” como uma das referências amplia essa leitura contemporânea. A obra de Christine Evans também revisita o mito troiano a partir de uma mulher do presente que entra em contato com figuras femininas da guerra, criando um diálogo entre temporalidades distintas.
Em “Mulheres de Troia”, esse encontro entre passado e presente aparece na construção cênica, que aposta na pesquisa de coro, na musicalidade e na composição coletiva. A montagem utiliza o mito não como reconstrução histórica, mas como ferramenta para pensar questões que permanecem atuais: deslocamento, apagamento, violência, luto e resistência.
O espetáculo marca a primeira montagem pós-acadêmica do Coletivo Treze Pontas, criado em 2024 a partir do encontro de estudantes do Núcleo de Capacitação Artística, localizado no Edifício Itália. O grupo reúne artistas com diferentes trajetórias e propõe o teatro como espaço de escuta, criação coletiva e transformação social.
Com elenco numeroso, “Mulheres de Troia” ocupa a cena a partir de múltiplas vozes. A estrutura coral reforça a ideia de que a guerra não produz apenas uma narrativa, mas muitas memórias interrompidas, muitas perdas e muitas formas de permanecer.
Serviço
Mulheres de Troia
Gênero: tragédia grega contemporânea
Direção geral: João Hannuch
Texto: criação coletiva, livremente inspirada em “As Troianas”, de Eurípides, e em “Trojan Barbie”, de Christine Evans
Realização: Coletivo Treze Pontas e Cygnus Produções
Elenco: Clara Frare, Gui Assano, Izadora Vieira, Janiny Thomaz, Laís Rodrigues, Lilith Padovani, Lívia Néris, Pablo Vitoriano, Pedro Vasconcellos, Rayssa Fernandes, Samm Oliveira, Samuel Chagas, Viana e Vitor Póvoa
Data: 16 de julho de 2026, quinta-feira
Horário: 20h
Local: Teatro Itália
Endereço: Avenida Ipiranga, 344 — Subsolo — República, São Paulo — SP
Ingressos: disponíveis via Sympla
Duração: 80 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Apoio: Museu de Memória do Bixiga




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