top of page

“Édipo” transforma tragédia grega em thriller político no Auditório do MASP

Com direção de Clara Carvalho, adaptação de Robert Icke estreia em 4 de julho, com Sergio Mastropasqua e Clarisse Abujamra no elenco

“Édipo” transforma tragédia grega em thriller político no Auditório do MASP
Imagem: Ronaldo Gutierrez

Uma campanha eleitoral prestes a terminar, um candidato favorito nas pesquisas e uma revelação capaz de desmontar tudo o que ele acredita saber sobre si mesmo. É nesse terreno, entre o poder público e o segredo íntimo, que “Édipo” chega ao Auditório do MASP em nova montagem dirigida por Clara Carvalho.


A peça estreiou neste sábado, 4 de julho, às 20h, e fica em cartaz até 6 de setembro, com sessões às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. A montagem tem texto do dramaturgo inglês Robert Icke, a partir da tragédia de Sófocles, e traz Sergio Mastropasqua no papel-título e Clarisse Abujamra como Jocasta.


Na releitura contemporânea, Édipo deixa de ser o rei de Tebas para se tornar um candidato em plena noite de eleição. O escritório de campanha ocupa o lugar do palácio, mas a engrenagem trágica permanece: a busca pela verdade conduz o personagem a um processo de ruína que envolve poder, família, sucessão e construção de narrativas.


“Não é que Édipo Rei precise ser atualizado. É uma tragédia tão perfeita e tão interessante que, 2.500 anos depois, continua impecável em sua dimensão universal. O que Robert Icke faz é um exercício muito interessante de releitura, usando todas as linhas mestras da peça”, afirma Clara Carvalho.


Segundo a diretora, a versão de Icke preserva a força da tragédia ao deslocá-la para um ambiente reconhecível no presente. “Na montagem, Édipo é o candidato que vai ganhar a eleição. Todas as pesquisas mostram que ele está praticamente eleito. Todavia, um personagem chega para dizer que tudo aquilo que ele acredita sobre si mesmo pode não ser verdade. Existe essa relação entre poder, sucessão e a construção de narrativas.”


A montagem conserva as unidades clássicas de tempo, espaço e ação, mas adota a estrutura de um thriller político. O suspense nasce da investigação sobre o passado de Édipo e do modo como cada nova informação altera a percepção dos personagens sobre o presente.


Para Sergio Mastropasqua, a força do texto está na forma como Robert Icke se aproxima de Sófocles sem tratá-lo como peça de museu. “Édipo é um personagem que estará pelo mundo enquanto existir alguém que saiba ler ou encenar. A atualidade é apenas mais um momento desse percurso”, afirma o ator.


Nesta adaptação, Jocasta ganha maior protagonismo em relação à tragédia original. A personagem, interpretada por Clarisse Abujamra, deixa de ser apenas uma figura associada ao destino de Édipo e passa a ocupar um lugar central na investigação dramática.


“É um acerto enorme da adaptação colocar Jocasta nesse lugar de protagonismo. Ela deixa de ser apenas uma figura da tragédia para se tornar uma personagem complexa e viva. A sensação é de acompanhar uma investigação em que, a cada cena, uma nova informação muda completamente o rumo da história”, diz Clarisse.


A encenação também estabelece diálogo direto com o espaço em que será apresentada. O cenário de Chris Aizner, o figurino de Marichilene Artisevskis e a trilha sonora original de Gregory Slivar criam um ambiente entre o universo eleitoral e a dimensão trágica da obra. A inspiração passa pelo brutalismo de Lina Bo Bardi e pelo simbolismo do vão livre do MASP, historicamente associado a manifestações públicas na Avenida Paulista.


O elenco reúne ainda Oswaldo Mendes, Chris Couto, João Bourbonnais, Thalles Cabral, Thaina Muniz, Márcia Teodoro, Marisa Mainarte, Rodrigo Scarpelli, Thomas Huszar e Roberto Borenstein.


A montagem é uma realização do Círculo de Atores, com idealização e produção geral de Rosalie Rahal Haddad e produção da SM Arte Cultura. A parceria entre Rosalie e o grupo já resultou em montagens como “A Profissão da Sra. Warren”, “O Dilema do Médico” e “Hedda Gabler”, que rendeu a Clara Carvalho indicação ao Prêmio Shell de Melhor Direção e venceu o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Espetáculo em Prosa.


Em “Édipo”, a tragédia atravessa os séculos sem perder seu eixo central: a pergunta sobre o quanto uma vida pode resistir quando a verdade começa a aparecer.


Serviço

Édipo

Texto: Robert Icke, a partir de Sófocles

Direção e tradução: Clara Carvalho

Idealização e produção geral: Rosalie Rahal Haddad

Realização: Círculo de Atores

Produção: SM Arte Cultura

Elenco: Sergio Mastropasqua, Clarisse Abujamra, Oswaldo Mendes, Chris Couto, João Bourbonnais, Thalles Cabral, Thaina Muniz, Márcia Teodoro, Marisa Mainarte, Rodrigo Scarpelli, Thomas Huszar e Roberto Borenstein

Temporada: de 4 de julho a 6 de setembro de 2026

Local: Auditório do MASP

Endereço: Avenida Paulista, 1578 — Bela Vista, São Paulo — SP

Sessões:Sextas e sábados, às 20hDomingos, às 18h

Ingressos:Sextas: R$ 100 inteira | R$ 50 meiaSábados e domingos: R$ 120 inteira | R$ 60 meia

Duração: 110 minutos

Classificação indicativa: 16 anos

Capacidade: 344 lugares


Comentários


bottom of page