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O Julgamento de um Homem Bom — musical feminista satiriza a masculinidade no Teatro de Arena

Novo espetáculo do grupo Matamoscas Teatral questiona a figura do “homem bom” e expõe as contradições do masculino brasileiro

O Julgamento de um Homem Bom — musical feminista satiriza a masculinidade no Teatro de Arena
Imagem: Gabriella Carli

De 23 de outubro a 2 de novembro de 2025, o Teatro de Arena, em São Paulo, recebe o espetáculo O Julgamento de um Homem Bom, nova comédia musical da companhia Matamoscas Teatral. Com direção e dramaturgia de Bella Rodrigues e direção musical de José Pedro, a montagem investiga a construção da masculinidade cis e propõe uma crítica afiada à cultura machista brasileira — tudo isso com humor, ironia e muita música.

No elenco, estão Ana Alencar, Carlos Comédias, Franco Cammilleri, Isabella Sabino, Larissa Fujinaga e José Pedro. A temporada acontece de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h.


Uma sátira musical sobre o masculino e suas contradições


O Julgamento de um Homem Bom parte de uma provocação: o que diferencia um “homem bom” de um “maníaco do parque”? A partir dessa pergunta, o espetáculo desmonta a ideia de que o machismo é uma exceção e revela o quanto ele é estrutural, cotidiano e cultural.

Entre canções originais, números coreografados e cenas cômicas, o musical coloca três homens seminus em cena, invertendo o olhar objetificador que recai sobre o corpo feminino e expondo as sutilezas da violência disfarçada de piada, gentileza ou distração.

“Queremos que o oprimido ria e se reconheça fortalecido — e que o opressor saia constrangido”, afirma Bella Rodrigues, que também assina as letras das músicas. Segundo ela, o riso é explorado como uma forma de resistência política e ferramenta de reflexão.


Humor, denúncia e subversão

Com canções autorais que passeiam entre o jazz, o funk e o coral, o musical mistura humor e desconforto em uma encenação que dialoga com o teatro épico e a performance contemporânea. Elementos como calcinhas, cuecas e menstruação surgem no palco com naturalidade cômica, expondo o que normalmente é silenciado.

“O espetáculo fala de coisas abafadas, que passam despercebidas, e as coloca no centro da cena”, explica Bella. “São pequenos crimes, piadas machistas e atitudes naturalizadas que o público vê transformar-se em número musical.”


A proposta é inspirada em referências como o artigo A Casa dos Homens, de Valesca Zanello, e no trabalho de Rafaela Azevedo (King Kong Fran), além de trazer elementos de autoficção, com falas e situações reais vividas pela própria dramaturga.

Ao fim de cada sessão, o público é convidado a escrever anonimamente os nomes de assediadores e abusadores. Os papéis são expostos no palco, transformando a experiência em um ato coletivo de denúncia e libertação.


Um julgamento simbólico

O enredo se constrói como um falso tribunal, onde os “homens bons” — pais, irmãos, colegas, namorados — são finalmente julgados. Através de humor corrosivo e crítica social, o musical revela o quanto o machismo se perpetua nas pequenas ações e nos discursos cotidianos, desconstruindo a ilusão da inocência masculina.

“Os homens reconhecem o machismo, mas raramente se veem como agentes dele. O problema é sempre o outro. Essa peça mostra o quanto essa separação é ilusória”, comenta Bella Rodrigues.


Sinopse

Após uma operação que prende todos os “maníacos” do país, o Brasil acredita estar livre da misoginia. No entanto, casos de violência continuam surgindo — e o primeiro julgamento de homens bons é instaurado. Entre sátira, música e ironia, o espetáculo revela que o verdadeiro perigo talvez não esteja nas exceções monstruosas, mas na normalidade do machismo cotidiano.


Serviço

Espetáculo: O Julgamento de um Homem Bom 

Companhia: Matamoscas Teatral 

Direção e dramaturgia: Bella Rodrigues 

Direção musical: José Pedro 

Elenco: Ana Alencar, Carlos Comédias, Franco Cammilleri, Isabella Sabino, Larissa Fujinaga e José Pedro

  • Local: Teatro de Arena – Rua Dr. Teodoro Baima, 94, Vila Buarque, São Paulo/SP

  • Temporada: 23 de outubro a 2 de novembro de 2025

  • Sessões: quintas, sextas e sábados às 20h; domingos às 19h

  • Ingressos: R$ 50 (inteira) | R$ 25 (meia)

  • Classificação indicativa: 16 anos

  • Duração: 80 minutos

  • Gênero: Comédia musical feminista

  • Capacidade: 99 lugares

  • Redes sociais: @matamoscasteatral

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