O Julgamento de um Homem Bom — musical feminista satiriza a masculinidade no Teatro de Arena
- Isabel Branquinha

- 12 de out.
- 3 min de leitura
Novo espetáculo do grupo Matamoscas Teatral questiona a figura do “homem bom” e expõe as contradições do masculino brasileiro

De 23 de outubro a 2 de novembro de 2025, o Teatro de Arena, em São Paulo, recebe o espetáculo O Julgamento de um Homem Bom, nova comédia musical da companhia Matamoscas Teatral. Com direção e dramaturgia de Bella Rodrigues e direção musical de José Pedro, a montagem investiga a construção da masculinidade cis e propõe uma crítica afiada à cultura machista brasileira — tudo isso com humor, ironia e muita música.
No elenco, estão Ana Alencar, Carlos Comédias, Franco Cammilleri, Isabella Sabino, Larissa Fujinaga e José Pedro. A temporada acontece de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h.
Uma sátira musical sobre o masculino e suas contradições
O Julgamento de um Homem Bom parte de uma provocação: o que diferencia um “homem bom” de um “maníaco do parque”? A partir dessa pergunta, o espetáculo desmonta a ideia de que o machismo é uma exceção e revela o quanto ele é estrutural, cotidiano e cultural.
Entre canções originais, números coreografados e cenas cômicas, o musical coloca três homens seminus em cena, invertendo o olhar objetificador que recai sobre o corpo feminino e expondo as sutilezas da violência disfarçada de piada, gentileza ou distração.
“Queremos que o oprimido ria e se reconheça fortalecido — e que o opressor saia constrangido”, afirma Bella Rodrigues, que também assina as letras das músicas. Segundo ela, o riso é explorado como uma forma de resistência política e ferramenta de reflexão.
Humor, denúncia e subversão
Com canções autorais que passeiam entre o jazz, o funk e o coral, o musical mistura humor e desconforto em uma encenação que dialoga com o teatro épico e a performance contemporânea. Elementos como calcinhas, cuecas e menstruação surgem no palco com naturalidade cômica, expondo o que normalmente é silenciado.
“O espetáculo fala de coisas abafadas, que passam despercebidas, e as coloca no centro da cena”, explica Bella. “São pequenos crimes, piadas machistas e atitudes naturalizadas que o público vê transformar-se em número musical.”
A proposta é inspirada em referências como o artigo A Casa dos Homens, de Valesca Zanello, e no trabalho de Rafaela Azevedo (King Kong Fran), além de trazer elementos de autoficção, com falas e situações reais vividas pela própria dramaturga.
Ao fim de cada sessão, o público é convidado a escrever anonimamente os nomes de assediadores e abusadores. Os papéis são expostos no palco, transformando a experiência em um ato coletivo de denúncia e libertação.
Um julgamento simbólico
O enredo se constrói como um falso tribunal, onde os “homens bons” — pais, irmãos, colegas, namorados — são finalmente julgados. Através de humor corrosivo e crítica social, o musical revela o quanto o machismo se perpetua nas pequenas ações e nos discursos cotidianos, desconstruindo a ilusão da inocência masculina.
“Os homens reconhecem o machismo, mas raramente se veem como agentes dele. O problema é sempre o outro. Essa peça mostra o quanto essa separação é ilusória”, comenta Bella Rodrigues.
Sinopse
Após uma operação que prende todos os “maníacos” do país, o Brasil acredita estar livre da misoginia. No entanto, casos de violência continuam surgindo — e o primeiro julgamento de homens bons é instaurado. Entre sátira, música e ironia, o espetáculo revela que o verdadeiro perigo talvez não esteja nas exceções monstruosas, mas na normalidade do machismo cotidiano.
Serviço
Espetáculo: O Julgamento de um Homem Bom
Companhia: Matamoscas Teatral
Direção e dramaturgia: Bella Rodrigues
Direção musical: José Pedro
Elenco: Ana Alencar, Carlos Comédias, Franco Cammilleri, Isabella Sabino, Larissa Fujinaga e José Pedro
Local: Teatro de Arena – Rua Dr. Teodoro Baima, 94, Vila Buarque, São Paulo/SP
Temporada: 23 de outubro a 2 de novembro de 2025
Sessões: quintas, sextas e sábados às 20h; domingos às 19h
Ingressos: R$ 50 (inteira) | R$ 25 (meia)
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 80 minutos
Gênero: Comédia musical feminista
Capacidade: 99 lugares
Redes sociais: @matamoscasteatral









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